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sábado, 11 de janeiro de 2014

Eita que bom é conto do sertão. História de poeta da terra num melhor.
Num tem "Istandápi" que barre!

Vou deixar pra vocês um poema/história de Chico Pedrosa que é um dos mais antigos e um dos melhores na minha opinião.

Aproveitem e pesquisem mais sobre a cultura do sertão nordestino! É rica demais meu "fí"!

Doutor, eu tento razão, 
De ser abilolado, 
Venho do tempo marcado 
Por seca e revolução. 
Quando eu tinha ano e meio, 
Escapei de um tiroteio, 
De meu pai, na bolandeira. 
Se meu pai ganhou, eu não sei 
E também nunca perguntei, 
Nem, sequer, por brincadeira. 

Vim conhecer a cidade, 
Quando votei pra prefeito 
E, por sinal, ele foi eleito, 
E, para minha felicidade, 
Ele me deu um emprego: 
Me entregou uma farda, 
Um capote, um coturno, 
Um capacete envernizado, 
Um apito enferrujado, 
Eu fui ser guarda noturno. 

Passeava as noites inteiras, 
Apitando na cidade, 
Escola, igreja, cinema, 
Mercado e maternidade. 
Nas noites frias do inverno, 
Eu usava um velho terno, 
Umas meias de crochê, 
Bebia quatro cachaças, 
Dava três voltas na praça 
E corria pro cabaré. 

Lá existia de tudo: 
Discursão, briga, lorota, 
Um contava aventura, Outro pagava uma meiota; 
Quando um bêbado se zangava, 
Eu ia lá e ajeitava. 
O bêbado ficava manso, 
Pagava pra mim uma bebida 
Eu dava um apito e saía, 
Na velha ginga de ganso. 

Até que um dia o prefeito, 
Fez uma reunião 
E nela perguntou aos guardas: 
- Querem aumento ou promoção? 
Antes de fechar a boca, 
Eu gritei com voz rouca: 
- Quero promoção seu Zé! 
Disse ele ta garantido, 
Aprovado e promovido, 
No maior posto que houver. 

Me deu uma farda nova, florada, 
Quem nem chita enfeitada, 
De galão, estrela, medalha e fita, 
Broche, botão e alfinete; 
Trocou meu velho cacetete 
Por um novo profissional, 
E me disse: de hoje em diante, 
Você é comandante, 
De Guarda Municipal. 

Pois três meses depois, 
Veio a guerra mundial 
E, nesse tempo, uma irmã minha 
Tava morando em Natal. 
Eu fui visitá-la; 
Botei a farda na mala, 
Passei o cargo a Raimundo 
Que era quase um irmão. 
Peguei o trem na estação, 
E me intupigaitei no mundo. 

Que lugar longe da gota. 
Quase o trem não chegava mais; 
Tinha hora que pensava 
Que ele tava andando pra trás. 
Entre solavancos e berros, 
O velho embuá de ferro, 
Viajou a noite inteira, 
E de manhã cedo, chegou Deu um apito e parou 
Na estação da Ribeira. 

Desembarquei e fiquei 
Perdido na multidão. 
Quando eu puxava uma conversa 
Ninguém me dava atenção. 
Quando mais bom dia dava, 
Mais o povo se abusava, 
Talvez me achando chato. 
Era um povo diferente, 
Da qualidade da gente, 
Das cidadinhas do mato. 

Perguntei a mais de mil, 
Se eles davam notícia 
De Carmelita de Sousa, 
Uma cabocla mestiça, 
Mulher do guarda Pompeu, 
Mais morena do que eu 
E de cabelo meio ruim, 
Que morava na Ari Parreira, 
Que fica perto da feira 
No bairro do Alecrim. 

Depois de tanta pergunta, 
Depois de ouvir tanto não, 
Me apareceu carmelita, 
No pátio da Estação, 
Toda cheia de finesses, 
Puxando nos Rs e Ss 
Que nem mulher de doutor, 
Nem parecia a matuta, 
Que lavrou a terra bruta, 
No Sertão do interior. 

Mesmo assim me recebeu, 
Na sua casa modesta, 
Os primeiros cinco dias, 
Para nós foram de festa. 
Quando o sexto dia veio, 
Resolvi dar um passeio. 
Mandei engomar a farda, 
Me banhei, tirei o grude, 
Me preparei como pude, 
Para ter um dia de glória. 

Passei o resto da tarde, Sentado num tamborete, 
Pregando estrelas, galões, 
Broche, alfinete, botões, 
Comprei mais uns acessórios, 
Enfeitei o suspensório, 
Feito de sola curtida. 
De manhã cedo me vesti, 
Tomei café e sai, 
Dando risada da vida. 

Na praça Gentil Ferreira, 
Onde tinha um mercado, 
Eu parei para tomar fôlego, 
Quando passava um soldado 
E fez continência para mim. 
Eu fiquei pensando assim: 
Que danado ele viu neu, 
Na certa ta me confundindo, 
Ou me achando parecido, 
Com algum colega seu. 

E haja passar soldado, 
Fazendo assim com a mão. 
Daqui a pouco era sargento, 
Coronel, capitão, cabo, 
Tenente, major 
E todo o estado maior, 
Dos quartéis da redondeza 
Cumprimentavam-me ali 
Até hoje nunca vi 
Tamanha delicadeza. 

Desfilaram tanques de guerra, 
Aviões em vôo rasantes, 
Sirenes tocaram mais fortes, 
Canhões dispararam distantes. 
Um praça do Coronel, 
Puxou do bolso um papel, 
Onde tinha um letreiro 
Que dizia: - Nossa terra 
Tem um espião de guerra, 
Que chegou do estrangeiro. 

Não quis falar com ninguém, 
Não pergunta e nem responde, 
Ninguém sabe de onde vem, 
Ninguém sabe onde se esconde. 
A sua farda é de cor de ameixa, A impressão que nos deixa, 
É que é um grande guerreiro, 
Filho de outra nação, 
Ou um perigoso espião, 
Das guerras do estrangeiro. 

Vamos levá-lo ao quartel, 
Para uma averiguação, 
Pois precisamos saber, 
De onde veio esse espião. 
Em seguida me levaram 
Ao quartel e me entregaram 
Ao Comandante Geral 
Que, quando me viu fardado, 
Perguntou meio assustado: 
- Que ta fazendo em Natal? 

Donde diabo é essa farda? 
Faça o favor de informar, 
E como se chama a nação 
Que usa uniforme diferente? 
E quem lhe deu tanta patente? 
A troco não sei de que. 
E porque Vossa Excelência 
Não responde as continências, 
Afinal, quem é você? 

Coronel, eu sou Zé Carrapeta, 
Sou filho do Cariri. 
Não sei fazer continência, 
Pra gente que nunca vi. 
Porém, nunca fui intruso 
E, acredite, eu só uso 
Esse quepe de biriba, 
Essa farda e esse coturno, 
Porque sou Guarda Noturno, 
Em Sapé, na Paraíba. 

CHICO PEDROSA

terça-feira, 6 de março de 2012

Meu ponto de vista sobre..

#1 - A MORTE.

A morte é ridículo!
 Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário.
Tem planos para semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório...
Colocar gasolina no carro e no meio da tarde...
MORRE.
Como assim?
E os e-mails que você ainda não abriu?
O livro que ficou pela metade?
O telefonema que você prometeu dar a tardinha para um cliente?
Não sei de onde tiraram esta idéia:
MORRER...
A troco de que?
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviram para nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente.
Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego. Mas não desistiu.
Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de duvidas quanto à profissão escolhida...
Mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...
De uma hora pra outro, tudo isso termina...
Numa colisão na freeway...
Numa artéria entupida...
Num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis...
Qual é?
Morrer é um chiste.
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida.
Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas...
Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas...
A apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.
Logo você que dizia: das minhas coisas cuido eu.
Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manha.
Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito...
Isso é para ser levado a sério?
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem vindo...
Já não há muito mesmo a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas.
ok, hora de descansar em paz.
Mas antes de viver tudo?
Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas.
Morrer é um exagero.

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#2 - A VIDA.

Nós humanos somos seres estranhos. Nunca estamos felizes com nada. Vivemos sempre buscando algo que não temos, e o que temos já não nos importa. Algo como: a felicidade está em um patamar acima do nosso e estamos sempre a buscá-la. Enfim, por mais que tenhamos bens, saúde, uma família, sempre falta algo. Que seja algo distante, que seja impossível, pois será isso que iremos desejar, ainda que o que precisamos, de fato, esteja ao alcance de nossas mãos.
Carros, casas, bens, dinheiro, dinheiro. Seria essa a definição ideal de felicidade? Não sei, a resposta não é tão simples. Talvez a felicidade não se resuma nessas coisas, em bens materias, embora estas coisas ajudem muito. Talvez, as coisas mais mais valiosas que temos, por mais démodé que seja, são amores. Não amores carnais apenas, paixões, mas sim amores, amores pelo simples viver, do amanhecer de um dia, de uma vida envolta de prazeres simplórios, e que não são necessariamente relacionados a dinheiro. Tá, reconheço que isso é filosófico demais, mas é realidade. Afinal, a vida deve ser encarada como um simplicidade impressionante, porque a vida é mesmo complexa. Mas é difícil ver simplicidade na vida, porque, aliás, a felicidade é, além de tudo, complexa.

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#3 - AMOR

Concluo, simplesmente, que somos razão e emoção. Por isso é necessário este sentimento maravilhoso (ou não) para completar a outra metade da nossa essência.

Enfim, algo extremamente necessário para equilibrar nossa existência.

#4 - FELICIDADE

É algo que não se busca, se constrói ao longo da vida, com o passar do tempo.

#5 - TEMPO

Acho que meu amigo Mário Quintana pode explicar melhor..:

O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

De dentro pra fora.

Arrependimento é uma coisa engraçada.
Faz o melhor que pode para evitá-lo mas às vezes, são as coisas mais difíceis que nos ensinam mais
Que nos faz imaginar se tivéssemos uma chance, quantos de nós fariam as coisas de um jeito diferente?
Para alguns, o arrependimento é algo que nos ajuda a deixar nossos medos para trás e seguir para o futuro.
Para outros, é algo que os permite voltar ao passado.
Na melhor das hipóteses, arrependimento pode ser a causa de um recomeço.
Onde qualquer coisa, e tudo, ainda é possível.
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É estranho colocar em linhas o que se sente indefinidamente de dentro para fora....
É estranho pensar que até ontem eu era alguém, hoje sou outro.
É aterrorizante pensar que pelo resto da minha vida, todas as pessoas que eu sempre amei e ajudei vão me julgar por um único erro. E que por conta deste erro, vão dar meu nome à autoria de vários outros.
A culpa é algo que não vem só.. Ela sempre vem acompanhada de vários outros sentimentos.
Por detrás das nossas tristezas e frustrações, de nossas insatisfações na vida, de nossos tédios e angústias, está um sentimento, o mais arraigado em nosso comportamento e responsável por grandes sofrimentos psicológicos, que é o sentimento de culpa.

O sentimento de culpa é o apego ao passado, é uma tristeza por ter cometido algo que não deveria.. Mas que se você pudesse voltar atrás faria tudo diferente.

As pessoas, as vezes, merecem uma chance.. De mostrar do que é capaz.. De ser feliz.. De tentar outra vez.. De pedir perdão, recomeçar e mostrar quem realmente é.

Junto com a culpa e o arrependimento, vem algo chamado JULGAMENTO.
Você se culpa, se arrepende, consegue consertar, ou pelo menos tenta dar um jeito, daí alguém vem e te mete o dedo na cara dizendo: - Você está errado! - Você não podia ter feito isso! - Eu tenho pena (nojo) de você!

Perceba! Você não está ajudando!

Alguém que já passou pelo estágio da culpa e do arrependimento, sabe muito bem que o que fez está errado. Caso contrário, nunca se arrependeria nem tentaria resolver.
Ela não quer ouvir julgamentos, ela só quer alguém que diga: - O que está acontecendo com você? Você está bem?  Precisa conversar? Você não é assim, vamos, converse comigo, eu estou aqui pra te ajudar!

ISSO NA VERDADE, NÃO ACONTECE! E por que?
Por que o homem é geneticamente programado para JULGAR e se sentir SUPERIOR a tudo e todos.
Ele nunca erra e se erra, não assume o erro.

----------------------Um ser humano que consegue se redimir e dar a cara pra bater, merece uma segunda chance----------------------------


Bom dia!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Sofrimento e Reclusão


 Vida nula sem perdão.
Sugeito a maus tratos.
Onde viste a ingratidão.
E conheceste os ingratos.
Degredo de humilhação,
Por os maus tratos recebidos.
Vivendo a única opção,
Nos anos que são perdidos.
Nos abismos da solidão,
Há escarpas do desespero.
Que nos momentos de aflição,
Fazem demência em exagero.
Quase fazendo parecer crêr,
Que o significado da vida,
Em vez de ser o viver,
Fosse uma morte sofrida.

(zeninumi 23/9/2007)

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Evite julgar as pessoas

Por mais razão que supostamente se tenha em relação a outras pessoas, por mais que outras pessoas estejam em dificuldades ou inserindo em erros: evite julgar. Ninguém tem informações suficientes para fazer um veredicto e colocar-se acima dos fatos e da verdade. Quando se julga alguém normalmente nos baseamos em nossas réguas e nem sempre elas estão alinhadas em um nível superior para saber o que é o melhor, o que é certo ou o que é errado.

Neste comportamento ainda geramos uma energia que não nos é positiva. No lugar de julgar talvez seja mais prudente oferecer uma ajuda, oferecer um apoio se realmente a pessoa estiver precisando. Defeitos são parte integrante das pessoas, o que é defeito aos olhos de um, pode não ser defeito aos olhos do outro; o que é veneno para um, pode ser remédio para outro. Julgar é tirar os olhos de nós mesmos, esquecer daquilo que realmente somos e também dos erros que inserimos em nossas vidas.

Entre um erro e outro algumas pessoas se encontram; entre um erro e outro se reconhece os verdadeiros amigos; entre um erro e outro ficamos diante de nossa verdade ou de nossa mentira; assim é o caminho de quem erra, mas pior é o caminho de quem julga, pois se coloca acima dos erros. Quando perceber que está julgando alguém, tente inverter os pólos, transforme este julgamento em disponibilidade de prestar um auxilio dentro de suas possibilidades a esta pessoas, pode ser uma conversa esclarecedora; pode ser um amparo; uma sugestão que devolva esta pessoa ao caminho ou até mesmo ser uma boa-orelha, as vezes é somente isto que muita gente precisa, alguém que as ouça, alguém com quem possam desabafar.

Não julgue, ajude, você vai sentir-se melhor ajudando do que julgando.

domingo, 4 de março de 2012

Mundos

Sem confete, nem serpentinas.. Minha notícia não tem agrados..não tem atrativos.
Quando andar pela rua e olhar pra alguém que lhe pareça feliz, procure a primeira oportunidade de olhar bem dentro de seus olhos e tenho certeza que você vai conseguir ver o mesmo que vejo nos meus: Um mundo.
Mas por que?
Por que apenas um mundo, com tudo que há nele, é capaz de propor felicidade, tristeza, dor e todos os outros sentimentos a nós, reles mortais.

Não ponho a culpa de seja lá o que for no mundo, por que sei que o que ele me trás de ruim, me trás de bom na mesma proporção.
Mas cabe a mim, desejar, visualizar e realizar meus desejos.. Cabe a mim construir as partes boas da vida.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Infortúnio - Poemas Urbanos (Daniel Lira)


O silêncio de novo
Ouço luzes e vultos sangrentos
Os mesmos operários do medo
Que assolam o meu quarto de estar

O infortúnio trouxe o desalento
Paredes vestidas de luto na esquina
Fotografias marcadas e cartas rasgadas
Jogadas no lixo
Pela janela do quarto andar

[ilusão]

O fim como começo
O mundo inteiro do avesso
Girando sem parar